Museu Virtual do

Laboratório Nacional de Astrofísica


A maioria dos museus tradicionais possui algum tipo de presença na internet atualmente. Por outro lado, surgem páginas na rede que apresentam propostas museológicas sem contrapartida física. Ou seja, sem instalações físicas visitáveis. Muitas destas iniciativas se autodenominam "museus virtuais". No entanto, a definição sobre o que pode ser definido deste modo é um debate atual na Museologia.

Tendo em vista as questões em aberto, o projeto de elaboração do Museu Virtual do LNA também se propõe a ser um potencial laboratório de pesquisas museológicas sobre o tema. 

Um ponto central para a discussão é o uso equivocado da palavra "virtual", como se esta fosse uma oposição ao real ou ao possível, enquanto que, de fato, ela se opõe ao atual. O virtual é fluxo de informação; o atual é uma conclusão (Dominici 2014). Assim, uma simples galeria de imagens de objetos disponível na internet não se configuraria como museu virtual. Magaldi (2010), por exemplo, defende que o museu virtual não precisa acontecer obrigatoriamente na internet. A "virtualização" dependeria da participação/interação humana. Também coloca que:

Vale ressaltar que os museus têm, entre outros, o papel de mediar a relação entre homens e patrimônio [material ou imaterial], sendo responsáveis pela dinâmica que irá resultar desta relação. Quanto à tecnologia, cabe aos museólogos descobrir em que medida pode ser este um poderoso instrumento de sedução (Magaldi, 2010, p. 62).

O Museu do LNA busca se virtualizar através da apresentação do seu conteúdo de modo que este possa ser apreciado e compartilhado por pessoas com distintos interesses. Este conteúdo, que idealmente deve crescer e se modificar ao longo do tempo, procura estar interligado com materiais afins de outros locais e instituições - também disponíveis na internet-, criando deste modo o desejado fluxo de informação. Assim, o visitante pode notar a existência de links conectando diferentes seções do próprio Museu e conteúdo externo, tais como vídeos, imagens, artigos acadêmicos e páginas com conteúdo básico de astronomia. Inclusive, incluímos entre a coleção apresentada um instrumento que não mais pertence ao LNA e encontra-se incorporado ao acervo do MAST desde 1998. 

A proposta aproxima-se do "museu de aprendizagem", segundo a definição de Schweibenz (2004): este tipo de página de museu é orientado pelo contexto. O visitante pode fazer um "percurso" no site que seja compatível com sua idade e/ou conhecimento prévio.


De fato, a ideia de criar um museu virtual para expor o acervo do LNA partiu de uma questão pragmática, antes mesmo de nos debruçarmos sobre a discussão museológica: não há hoje espaço físico na instituição, e nem perspectivas de construir um local adequado ao longo dos próximos anos. Além disso, o espaço virtual possibilita a disponibilização ampla e irrestrita do acervo, da história a ele associada e do conhecimento gerado através de sua utilização. Espaços de popularização das ciências ainda são raros e pouco visitados no país. Como aponta Moreira (2006):

Como um reflexo da desigualdade na distribuição da riqueza, dos recursos em CT e dos bens educacionais, os museus de ciência estão fortemente concentrados em poucas áreas do país. Apesar do crescimento expressivo dos últimos anos, um número muito pequeno de brasileiros, cerca de 1% da população, visita algum centro ou museu de ciências a cada ano. Para fins comparativos, a visitação a museus em alguns países europeus chega a atingir 25% da população (Moreira, 2006).

Assim, a existência do espaço virtual, “sem muros”, também pode ser uma porta de entrada da população no universo dos museus e, em particular, dos museus de ciência e técnica.


Recomendações de leitura:


 Página principal  

© 2015, LNA-MAST, All Rights Reserved.