Museu Virtual do

Laboratório Nacional de Astrofísica


A ideia de criar um observatório de montanha no Brasil surgiu ainda na década de 1930. No entanto, ela só tomou força após a Segunda Guerra Mundial, quando o país começou a contar com os primeiros doutores em astronomia.

Em 1961, os astrônomos Luiz Muniz Barreto, do Observatório Nacional (ON), e Abrahão de Moraes, do então Instituto Astronômico e Geofísico da USP (IAG/USP), participaram da 11º Assembléia da União Astronômica Internacional (UAI) em Berkeley (Califórnia, EUA). Na ocasião, tiveram a oportunidade de visitar os observatórios de Lick, Mount Wilson e Mount Palomar, todos de montanha. Dali nasceu neste dois pesquisadores a convicção de que era o momento de buscar construir uma infraestrutura como aquela no Brasil, fomentando as pesquisas em astrofísica (então uma nova área) e a formação de pessoal especializado.

Um dos primeiros passos foi o contato de Muniz com um grupo de franceses que vieram ao Brasil para orientar e dar início à busca do sítio para o então Observatório Astrofísico Brasileiro (OAB). Entre 1965 e 1972, a busca teve continuidade através de uma colaboração entre o ON, o IAG/USP, o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além do Centro de Estudos Astronômicos Cesar Lattes de Minas Gerais (mais tarde, Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais - CEAMIG). Ao longo daqueles anos, foram examinados 15 locais na região centro-leste do País, entre 20 e 30 graus de latitude sul. A equipe era composta principalmente de jovens estudantes altamente engajados. Como resultado desse levantamento, foi escolhido o Pico dos Dias (1864 m de altitude), localizado entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, no sul de Minas Gerais.


Navegue pelo mapa para explorar a localização do OPD. Produzido através do Google Maps.


Em 5 de setembro de 1972, ocorreu a celebração do convênio entre o ON e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que garantiu recursos para a compra do telescópio refletor com espelho principal de 1,60 m de diâmetro, da empresa americana Perkin-Elmer - ainda hoje o maior telescópio em território brasileiro - e de um espectrógrafo coudé. Um fotômetro, o FOTEX, foi doado ao observatório pelos Estados Unidos e integrava seu portfólio de instrumentos periféricos no início das operações.

A primeira luz do telescópio ocorreu em 21 de abril de 1980 e, desde então, o observatório desenvolve um trabalho ininterrupto em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do país, contribuindo decisivamente para o vertiginoso crescimento da astronomia brasileira e tendo aberto caminho para a participação nacional em projetos internacionais de maior porte. É, ainda  hoje, uma estrutura fundamental para as pesquisas e a formação avançada de novos astrônomos. Em 1983 o observatório recebeu um telescópio Zeiss com espelho primário de 0.6 m de diâmetro e apontamento manual que ficara vários anos abandonado em Brasópolis. A história popular conta que o instrumento e sua cúpula foram recebidos da então Alemanha Oriental como pagamento de café. Porém, de fato ele foi adquirido por solicitação do Observatório do Valongo através do acordo MEC/Leste Europeu que, por sua vez, visava a aquisição de instrumentos científicos e de pesquisa não produzidos no Brasil. Em 1992, o OPD recebeu seu terceiro telescópio: um Boller&Chivens com espelho primário de 0.6 m pertencente à USP e que até então estava instalado em Valinhos (SP). No entanto, aquele local já era severamente afetado pela poluição luminosa, e a baixa altitude do sítio (800 m) inviabilizava as pesquisas em astrofísica. Junto com o telescópio, o OPD recebeu um espectrógrafo Cassegrain. 


Observatório do Pico dos Dias ao anoitecer. Crédito: Tânia Dominici (MCTI)


Em 1985 foi criado o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), ainda como parte do ON, para operar e gerenciar o observatório, então nomeado de Observatório do Pico dos Dias. Em 1989 o LNA tornou-se uma instituição autônoma, inicialmente vinculada ao CNPq e, a partir de 2000, compondo as unidades de pesquisa do recém criado Ministério da Ciência e Tecnologia. Como ficou claro que em pouco tempo o OPD não supriria todas as necessidades de infraestrutura observacional (no óptico e infravermelho próximo) desta crescente comunidade astronômica brasileira, novas oportunidades começaram a ser consideradas já no final da década de 1980. 

Naquela época, o contexto das pesquisas em astrofísica já era muito distinto daquele encontrado quando o OAB começou a ser pensado: os custos de novas facilidades começaram a aumentar substancialmente, assim como a exigência de que os novos telescópios fossem instalados em sítios de excelência, como o norte do Chile ou o topo do vulcão inativo Mauna Kea, no Havaí (EUA). Não era, portanto, mais viável que um país investisse isoladamente. Colaborações internacionais começaram a se tornar mandatórias para projetos de telescópios e instrumentos periféricos de ponta. 

A primeira parceria desse tipo em que o Brasil se envolveu, em 1993, visava construir e operar o Observatório Gemini, que compreende na verdade dois telescópios idênticos, com espelhos de 8.1 m de diâmetro, respectivamente localizados nos Andes chilenos – onde se encontra o Gemini Sul (em Cerro Pachón) –, e em Mauna Kea, no Havaí (no topo do vulcão extinto de mesmo nome) – onde está o Gemini Norte. Esse observatório é fruto de um acordo inicialmente firmado em 1992, do qual participam atualmente instituições representantes de cinco países (Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Brasil). No caso do Brasil, coube ao LNA assumir o papel de Escritório Nacional do Gemini, o que o torna responsável não só pelo bom funcionamento da comissão interinstitucional encarregada de fazer a distribuição, entre os astrônomos brasileiros, do tempo de uso dos telescópios a eles destinado, como também pelo apoio a esses usuários. 

Já o telescópio SOAR é fruto de um acordo firmado em 1999 entre os Estados Unidos (representado pelo NOAO, a Universidade da Carolina do Norte e a Universidade Estadual de Michigan) e o Brasil (atualmente representado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, através do LNA). Diferentemente da sua participação no Gemini, desde o início o Brasil possui assento pleno em todos os órgãos administrativos e consultivos do SOAR, e seus astrônomos dispõem de um tempo maior de observação – cerca de 1/3 do tempo total. Trata-se de um telescópiocom abertura de 4.1 m, situado em Cerro Pachón, a algumas centenas de metros do Gemini Sul.



Navegue pelo mapa para explorar o Cerro Pachón, no Norte do Chile, sítio de excelência em termos de qualidade do céu a 2700 metros de altitude, onde estão os telescópios SOAR e Gemini Sul. Mapa produzido através do Google Maps.


Desde 2008, o LNA responde também pela participação do Brasil no consórcio do Canada-France-Hawaii Telescope (CFHT) – um telescópio de 3.6 m de diâmetro localizado em Mauna Kea, ao lado do Gemini Norte, operado, como seu nome sugere, por instituições do Canadá, França e do estado norte-americano do Havaí. E, graças a um entendimento com o National Optical Astronomy Observatory (NOAO) que prevê a troca de tempo entre o SOAR e o Telescópio Blanco, o LNA ainda provê o acesso dos astrônomos brasileiros ao instrumento de mesmo nome – um telescópio de 4 m de diâmetro situado em Cerro Tololo, a alguns quilômetros de Cerro Pachón.


Explore o Mauna Kea, vulcão extinto a 4200 metros de altitude no Havaí onde estão construídos os mais avançados observatórios astronômicos do Hemisfério Norte. Mapa produzido através do Google Maps.


A história do LNA está em contínua construção. A continuação da participação do Brasil nos observatórios gerenciados pela insituição e em novas oportunidades deve, naturalmente, ir se alterando com o tempo, seguindo as necessidades de infraestrutura observacional impostas pela evolução dos interesses de pesquisa dos astronômos e a disponibilidade de recursos financeiros. 

A maior parte do acervo do LNA apresentado neste Museu Virtual, é composta por objetos que refletem o desenvolvimento do Observatório do Pico dos Dias que, como discutimos, levou a astronomia brasileira a voos mais altos, sem nunca deixar de ser uma infraestrutura relevante para as pesquisas. O sucesso do OPD pode ser quantificado através de sua produção científica: até o momento (2015) mais de 110 dissertações de mestrado, 85 teses de doutorado e 470 artigos arbitrados em revistas internacionais foram desenvolvidos com base em dados lá obtidos.


Matérias históricas

Ao longo de sua existência, o LNA e o OPD foram assunto de importantes reportagens. Algumas delas estão disponibilizadas aqui.


  • "Lixo Astronômico" - Reportagem sobre o abandono do telescópio Zeiss, publicada na revista Veja em 1975;










Se você tiver sugestões de outras reportagens de interesse sobre a história do LNA e do Observatório do Pico dos Dias, entre em contato!


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