Poluição luminosa


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Aprendendo mais sobre a Poluição Luminosa





Tipos de Poluição Luminosa

Podemos classificar a poluição luminosa em três categorias, descritas a seguir:

 
Brilho do céu, (sky glow): é o aspecto alaranjado do céu, causado pelas luzes indevidamente direcionadas para o alto. É pior em áreas com alta concentração de poluição atmosférica. O uso de lâmpadas de vapor de sódio mal-direcionadas é o que causa o efeito de cor alaranjada. Se o brilho tender para o branco, é devido ao uso excessivo de lâmpadas de mercúrio, ainda mais nocivas ao meio ambiente.

 

Exemplo da poluição chamada de glare. Imagem de www.need-less.org.uk.



Ofuscamento (glare):
luz excessiva e direta nos olhos, causando cegueira momentânea. É o que acontece, por exemplo, quando um carro trafega com faróis altos na direção contrária a nossa. Note na imagem ao lado a que luz ofuscante não permite ao observador perceber todos os elementos da cena, o que favorece, por exemplo, a criminalidade.

 

Exemplo de ofuscamento (www.nightwise.org).


Exemplo de como a iluminação excessiva, inadequada e ofuscante, pode ser cúmplice da criminalidade. Veja como o indivíduo é oculto pelo ofuscamento. Imagens: George Fleenor.

Luz intrusa (light trespass): é a iluminação de um ambiente que invade o domínio do outro. Por exemplo, a luz que vem da rua e não permite que o quarto fique totalmente escuro durante a noite, como no exemplo mostrado ao lado. Ou as luzes no interior das residências, que indevidamente escapam pelas janelas.

 

Exemplo de trespass, ou luz intrusa (imagem: IDA).

Impactos ambientais

No meio ambiente, a iluminação excessiva afeta os ciclos migratórios, alimentares e reprodutivos de diversas espécies de animais.

A iluminação constante pode causar a desorientação de organismos que dependem de um ambiente escuro para se locomoverem. Um dos exemplos mais conhecidos é os dos filhotes de tartarugas marinhas que saem dos seus ninhos nas praias. Normalmente, os filhotes movem-se nodos ambientes escuros e baixos (por exemplo, as vegetações das dunas) e vão em direção ao oceano. Com a presença de luzes artificiais na praia, os filhotes não conseguem diferenciar os ambientes, resultando em desorientação.



As tartarugas são atraídas pela luz artificial e têm a sua sobrevivência ameaçada, caso não consigam chegar ao MAR (NIH).


Invertebrados também podem sofrer os efeitos da poluição luminosa, particularmente insetos como as mariposas, que são atraídas pela luz.

Por exemplo, as fêmeas dos vagalumes atraem os machos a 45 metros de distância com flashes de bioluminescência, mas a presença de luz artificial reduz a visibilidade, prejudicando a reprodução.

A poluição luminosa altera o período de floração de plantas, comprometendo o balanço natural na produção de frutos e de outros alimentos.

Verifica-se que a eletrificação rural tem relação com o aumento de doenças causadas por insetos que são atraídos pelas luzes artificiais. 

Alguns elementos utilizados em lâmpadas que podem ocasionar grandes impactos ambientais quando do seu descarte. Entre elas, estão o mercúrio, antimônio, bário, chumbo, cádmio, índio, sódio, estrôncio e vanádio.



Impactos sociais e econômicos



Em relação à saúde e ao impacto social, é comprovado o efeito da poluição luminosa no aumento da incidência e desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Afetando uma parcela mais ampla da população, a poluição luminosa pode promover cansaço visual, causando sonolência, dor de cabeça e stress. A luz excessiva é causa bem estabelecida de acidentes de trânsito. Além disso, ao contrário do senso comum, o excesso de iluminação irracional não representa diminuição nos índices de criminalidade, uma vez que a dá a falsa sensação de segurança, diminuindo a cautela das pessoas e facilitando rotas de fuga.

Do ponto de vista econômico, toda a luz direcionada acima da linha do horizonte é, única e exclusivamente, energia elétrica desperdiçada.

Medidas simples de escolha de luminárias e lâmpadas para a iluminação externa e seu correto posicionamento em relação ao solo são suficientes para conter e até reverter os efeitos da poluição luminosa, além de diminuir os gastos da administração pública com o sistema de iluminação a médio prazo.







A Poluição Luminosa nos arredores do Observatório do Pico dos Dias

O Observatório do Pico dos Dias (OPD), situado a 1864 m de altitude entre as cidades mineiras de Brazópolis e Piranguçu, é o principal observatório profissional em solo brasileiro para observações astronômicas nas frequências do óptico e do infravermelho próximo.

Quatro telescópios estão em operação no OPD, inclusive o maior no Brasil, com um espelho de 1,6 m. Dois telescópios com espelhos de 0,6 m e um de 0,4 m completam o conjunto.

Em operação desde 1980, o observatório contribuiu decisivamente para o vertiginoso crescimento da astronomia brasileira, tendo aberto caminho para a participação nacional em projetos internacionais de grande porte, como os telescópios Gemini e SOAR. O OPD tem também papel fundamental na formação de novos profissionais para a astronomia.

O maior telescópio em solo brasileiro está instalado no OPD. O seu espelho primário tem 1.6 metros de diâmetro. No entanto, devido à poluição luminosa, estima-se que as observações realizadas com ele sejam equivalentes a de um telescópio menor, de pouco mais de 1 metro de diâmetro, quando instalado em um local totalmente despoluído.


Porém, a vida útil do OPD como laboratório científico está sendo comprometida pelo aumento descontrolado da poluição luminosa nos seus arredores. Considerando o número de habitantes e a distância em linha reta ao observatório, as cinco cidades que mais o afetam são Brazópolis, Itajubá, Piranguçu, Campos do Jordão e Piranguinho. É preciso conscientizar a população e os governos municipais para a exitência do problema e promover ações concretas para impedir o avanço da poluição luminosa e, até mesmo, revertê-la.


Poluição luminosa nos arredores do Pico dos Dias: à esquerda, Brazópolis e, em segundo plano, Santa Rita do Sapucaí. As luzes brancas são provenientes, na sua maioria, de lâmpadas de vapor de mercúrio, altamente contaminantes para o meio ambiente. À direita, as luzes da cidade de Itajubá.






Última atualização: 31/05/2012